Uma pitada sexy nos nossos domingos

Eliana exalta Silvio e diz como quer ser lembrada: Ela começou jovem na TV, com um empurrãozinho do patrão. Em pouco tempo, provou seu talento


Ela começou jovem na TV, com um empurrãozinho de Silvio Santos. Em pouco tempo, provou seu talento, conquistou a criançada e não saiu mais da telinha. Atualmente, faz sucesso também com os adultos e se tornou símbolo na guerra pela audiência do domingo, dia mais nobre da TV brasileira, por ser a única mulher nas três principais emissoras do país – Daniela Albuquerque tenta incomodar as gigantes na Rede TV.

Em um bate-papo em seu escritório em São Paulo, Eliana fala sobre essa responsabilidade.

FOTOS: Edu Garcia/Diário SP

“Foi minha grande realização profissional, quase como um reconhecimento da pessoa que um dia me colocou ali e falou: ‘Poxa, você cresceu, amadureceu e agora tem a competência de estar aqui ao meu lado, dividindo esse dia tão nobre’. É brilhante”, exalta a apresentadora, sobre o patrão Silvio Santos. Eliana cresceu em frente às câmeras e o tempo só lhe fez bem. Aos 42 anos, e mãe de Arthur, de 4, ela continua linda e com tudo em cima.

DIÁRIO_ Como foi, lá em 2005, migrar para o domingo, dia de maior audiência na TV?

ELIANA_ Era um momento de transição importante na minha vida profissional. Foi um desafio que me deram e se eu não conseguisse fazer aquela transição, não estaria aqui até hoje falando com meu público. Os infantis já estavam num outro momento, as crianças já estavam acessando a internet, TV a cabo... Então era um momento de “ou muda ou se extingue”, sabe? Aí, fiquei oito meses trabalhando, preparando e, quando a TV me deu essa missão, não sabia que ia entrar aos domingos. A gente só descobriu quando o piloto estava pronto e a Record encomendou uma pesquisa em que a maioria disse: “Esse programa é dominical?”. O público entendeu que era um programa de domingo, sem nenhuma prévia do pesquisador, nada.


E como você foi recebida pelo público?

De cara houve uma receptividade bacana, porque o programa permaneceu por anos competindo com grandes nomes, como Fausto Silva, o próprio Silvio Santos... E foi muito bem. Tão bem que o Silvio, depois de 11 anos, resolveu me trazer de volta para o SBT, onde tudo começou. Para mim, é uma realização muito grande, porque outras mulheres já passaram pelo domingo, mas não permaneceram por tantos anos. Desejo que outras mulheres surjam também e permaneçam nessa disputa saudável para todo mundo porque o público é quem tem a ganhar com isso.

Na disputa, Rodrigo Faro talvez seja o que mais lhe “incomoda”. Como lida com isso?

É normal, né? Acho que tem fases e ele está num excelente momento, tem uma estrada longa pela frente. Eu conheci o Rodrigo, acho que a gente tinha uns 16 anos, então tenho muito carinho por ele, e ele por mim, mas quando a gente está trabalhando, tem uma disputa saudável. Mas nunca coloquei como um troféu qualquer momento positivo, de ficar em primeiro, segundo ou terceiro lugar. Sou uma trabalhadora da televisão, o que a TV pede para que eu faça, eu vou fazer. Então, mais importante do que comemorar um dia ou outro é pensar no conteúdo que a gente quer passar, o tempo que isso vai te dar e o que isso vai deixar de mensagem, o que isso vai construir para a sua vida, para a sua carreira. Então, para mim, não é incômodo nenhum estar em segundo, terceiro ou ficar em primeiro... Eu estou trabalhando e com muito respeito a todos os profissionais.


Há anos no ar, a que credita o sucesso? Talvez por ser sempre algo divertido, para cima?

Ah, eu sempre tive esse DNA, né? Quando você trabalha com crianças, não dá para ser diferente. E o que eu faço com o programa para família é assim, eu sempre me coloco no lugar: “Eu gostaria que minha família estivesse no sofá assistindo a esse programa?”. Quando eu trabalhava com as crianças era a mesma coisa, eu ensinava a fazer brinquedo com sucata. Eu ficava preocupada em levar algo a mais, não só o entretenimento. Isso sempre fez parte da minha carreira e acho que vai perdurar por muitos e muitos anos. Tenho uma editora de livros, trabalhar com cultura é uma coisa que me enche de alegria e eu gosto de deixar uma semente, sabe? Eu sou a favor de olhar pra trás e falar: “Poxa, olha o que eu consegui construir!”. Encontrar pessoas que dizem que se lembram das coisas que eu ensinava... Isso é o que fica. Daqui a 10, 20 anos, quero ser lembrada como uma mulher que fez diferença aos domingos.

Você fica de olho na audiência durante o programa ou deixa para o diretor mudar uma coisa aqui, outra ali?

Atualmente, a gente está ao vivo, a gente só grava os programas de feriado. Curiosamente, não tem muita diferença se está gravado ou ao vivo, porque a gente não estende muito, se não o programa acaba ficando chato, né? Ficar estendendo muito os quadros em função dos números, eu acho que acaba espantando o público, então a gente segue uma linha artística que já é imaginada antes. A gente se reúne no camarim, eu e o diretor, e faz ali a estratégia do programa. A gente muda pouco durante o ao vivo, um intervalo, pode diminuir um pouco um quadro, aumentar um pouquinho... Acho que, acima de tudo, respeito ao público, respeito de uma maneira geral, é o mais importante.


A sua mudança do público infantil para o familiar foi bem aceita. Por que deu certo?

Tem uma questão da intuição, de você intuir que aquilo pode ser um caminho bacana. Para isso é preciso ter determinação e ser uma boa ouvinte. E não acho que essa seja a receita, o que funcionou para mim não necessariamente vai funcionar para outro.. Mas saber ouvir e ter a humildade de saber que naquele momento eu preciso aprender, e não ensinar, por mais que eu tenha experiência e alguns anos de carreira. Acho que me ajudou a chegar onde cheguei. Quando meu programa infantil acabou e a gente começou um novo projeto, eu tentei ouvir muito os profissionais que já tinham experiência aos domingos. Fora isso, acho que existe uma transformação interna. Eu tinha 29, 30 anos e alguma coisa dentro de mim dizia: “Vai mais longe. Fala com mais gente”. Aí veio essa oportunidade, eu fui para a terapia e queria entender como eu ia colocar isso em prática.

Por que terapia?

Eu tive de me transformar em frente às câmeras, porque toda vez que elas ligavam, eu dava uma infantilizada, bloqueava minha sensualidade porque estava falando com crianças. E eu fiz até terapia com uma sexóloga, porque se era uma mulher falando com outra mulher, por que não poderia colocar uma roupa que mostrasse mais meu corpo, um batom vermelho? Eu nunca tinha usado um batom vermelho! Então comecei a me permitir. A sexóloga acompanhou o programa durante uns três anos, então participava das pautas, de algumas coisas que eu podia falar para dar uma apimentadinha, no limite para o horário, foi bem interessante. Então, foram diversas coisas que contribuíram pra essa minha transição, porque também tinha uma coisa de dentro acontecendo. E aí acho que essa verdade passou para o púbico. Eu fui abraçada pelas crianças em 1991 e pela família em 2005.

E hoje você se sente mais mulherão, poderosa?

Acho que somos todas poderosas. A mulher tem o dom de ser polvo, fazer várias coisas e fazer bem, dar conta de ser mãe, dona de casa, sair pra trabalhar fora. Eu sou mais uma mulher entre tantas. O que nos une é essa força e a única diferença é que eu trabalho numa TV e elas provavelmente estão num escritório ou no seu lar... E vejo isso aqui no meu escritório: só tem mulher (risos). Tenho só um editor, mas ele não fica aqui todo dia. Minha produção também tem muita mulher e eu tenho um diretor (Ariel Jacobowitz) que eu digo que tem alma feminina, porque ele tem mesmo, para entender os quadros femininos e tudo...

Tem muitas coisas que você manteve da época que surgiu, mas nunca mais cantou. Tem vontade, ainda canta em casa?

Olha, às vezes canto e faço pequenas participações. No dia do aniversário do programa, em agosto, eu cantei com Marcos & Belutti, “Domingo de Manhã”, e foi superlegal. Eu cantei “Diamonds Are a Girl’s Best Friend”, da Marilyn Monroe, numa participação especial no programa da Hebe. Eu quero participar do programa da Patricia (Abravanel), ela já me convidou algumas vezes para fazer o “Máquina da Fama”... Eu vou me divertindo com relação à música, porque acho que tudo precisa de uma dedicação e meu foco hoje é totalmente voltado para a TV, para a comunicação, para o programa... Quem sabe no futuro?

Você tem uma linha de produtos com seu nome, né? Você se preocupa em ver isso de perto para checar qualidade, manter sua credibilidade?

Desde sempre. A marca Eliana também passou por uma transição. Hoje fala com a mulher, já falou com as crianças. Está vindo o terceiro perfume agora, tem hidratante, gel corporal, maquiagem... Tenho a maior preocupação pra que seja de qualidade e acessível a todos, para que mulheres que se inspiram em mim possam usar. E é bacana, às vezes passo na rua, alguém vem me cumprimentar e está usando meu perfume, fico feliz. É um trabalho que acompanho, da escolha da fragrância, até embalagem, posicionamento de logomarca, tudo.


Com essa rotina puxada, você tem tempo para descansar?

O meu dia de folga é a segunda-feira. O Arthur está sentindo um pouco, porque ele não tem a mamãe aos domingos (risos). Mas ele fica com a vovó, com o pai, com a família, os padrinhos que são os primos dele... Sexta-feira também é um dia que, quando eu consigo, fico com ele. Mas os outros dias são para a TV e para o escritório. Então, ou eu estou aqui, ou estou na TV ou estou fazendo externas.

Por falar em Arthur, ele já entende quando te vê na TV?

O universo infantil ele está descobrindo agora, porque está tudo registrado em casa. Na TV, ele já está acostumado, porque desde muito pequenininho ele me vê na TV. O que ele ainda está entendendo é por que as pessoas querem tirar foto comigo. Uma vez ele falou para mim: “Mamãe, por que todo mundo gosta de você?”. E eu falei: “Ah, filho, é que a mamãe trabalha na televisão, então fica na casa das pessoas”. Mas ele não entende muito. Uma vez, foi muito fofo isso, a gente estava na praia, tinha uma turma e cada um quis fazer uma foto. Aí ele sentou na areia e ficou olhando. Quando veio o último ele fez: “Pronto?” (risos). Ele é paciente, não está entendendo muito, mas já vai entender.

Você o leva ao SBT?

Ah, ele já foi bastante. Mas eu deixo muito a critério dele, porque é um ambiente muito sério para mim. Ainda mais agora, ao vivo, é um ambiente de muito foco, então não tenho tempo de ser a mãezona brincalhona que sou dentro de casa. Então, não é tão divertido para ele ainda. Mas, mesmo assim, quando tem quadros mais coloridinhos ou quando tem música, ele fica sentado, atrás das câmeras, bem quietinho... Mas ele só vai se ele quiser, isso desde novinho. Eu achei que eu fosse levar mais, mas como é um momento de muita concentração, eu prefiro deixar ele com a minha mãe, ou ele fica com o pai. E aí eu vou trabalhar mais sossegada.

E você sente que ele gosta de cantar, falar, aparecer...?

O Arthur é muito afinado e comunicativo. A mãe babona, né? A entrevista inteira falando do filho (risos). Quando a gente vai viajar, ele fica no avião sentadinho e as pessoas vão passando e ele dá “oi”. Isso desde pequenininho. O pai (o músico João Marcelo Bôscolli) baba às vezes, sabe, quando ele está ouvindo uma música, dá o tom certinho... Mas não dá para saber ainda, ele é muito novinho. Acho que referências não faltarão, mas ele vai descobrir o caminho dele, o dom. Ele fica no estúdio do pai, no estúdio de TV, ouve muita música em casa, acho que tem de deixar.

Como você lida com o assédio da mídia em relação a sua vida pessoal?

É normal, são 27 anos de carreira, entendo perfeitamente. Não tem nenhum problema.

Então, você está feliz, está namorando...?

Ó lá! (risos). Sim, estou (ela namora o diretor Adriano Ricco). Vai fazer um ano e meio já. Está tudo ótimo.

Nota publicada por Diário de São Paulo

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