Leonor Corrêa conta detalhes dos bastidores do programa de Eliana

Por Adolfo Nomelini e Rafael Carvalho

Há um ano Leonor Corrêa aceitou o convite para dirigir o novo programa de Eliana. Em entrevista ao site do SBT, a diretora contou detalhes sobre o processo de criação dos programas e o desafio de comandar a produção de uma atração semanal.

Você já esteve no comando de diversos programas. É mais fácil dirigir entendendo o que se passa na cabeça de um apresentador?
É fundamental, pois o apresentador tem que se sentir à vontade, o respeito ao perfil de cada um faz com que o programa tenha uma cara. Mas, é claro, que todos os apresentadores sabem que o programa é feito para o publico, ou seja, visando aquele perfil do horário, do dia, da emissora.

Você já fez parte da equipe de programas femininos, de variedades e sobre os bastidores da televisão. O que é necessário fazer para ter tanta versatilidade?
Para que você possa exercer um cargo de liderança, você não tem que saber mandar, tem que saber fazer. Só assim pode orientar, direcionar, ensinar e depois cobrar. Para isso é importante experiência, enfrentar novos desafios, encarar o que você não domina. Se você passa a vida toda em apenas uma função você não evolui, não erra, não amadurece.

É mais difícil dirigir um programa sem público segmentado, ou seja, para toda a família?
Bem mais difícil pois aos domingos a família toda passa pela TV, estão todos em casa. O controle-remoto é de quem chega primeiro, assim você tem que segurar o publico com a atração que está no ar e, ao mesmo tempo, avisar o que vem pela frente para agradar e atrair todo mundo.

Como funciona o processo de criação dos quadros da Eliana?
Nós temos uma equipe criativa, competente e a Eliana também está sempre antenada nas novidades, tem ótimas ideias. Nos meus 26 anos de televisão, o que mais fiz foi criação de programas, quadros e isso facilita na hora de unir várias boas ideias e formatar uma só que seja viável de produzir, que dê retorno comercial, que possa agregar audiência.

Muitas pessoas acham que o apresentador só participa no dia da gravação. Como é a sua relação com a Eliana na elaboração das pautas?
Nos falamos diariamente, além de muitas ideias, sempre trocamos informações, a Eliana tem envolvimento total da criação até a edição.

De que forma o público define os assuntos que serão abordados na atração?
É claro que trabalhamos com resultados de audiência, que é a resposta do publico imediata. Mas aqui no SBT, o departamento de pesquisa (programação) é extremamente eficiente e nos ajuda muito com pesquisas de publico, analisando junto cada resultado, entendendo o que acontece a cada programa. Não existe uma fórmula de sucesso, somente trabalho. Se existisse algo tão óbvio, era só seguir que qualquer programa daria 50 pontos de audiência... Cada semana é uma batalha depende da concorrência, depende da época do ano, até se chove ou não, se tem feriado, se tem copa do mundo. São muitos fatores para analisar.

Qual o momento mais difícil na direção de um programa de 4 horas de duração?
Todos os momentos (risos). Se a audiência é ótima no domingo, na segunda vem a preocupação de ter que ser melhor no domingo seguinte. Se é ruim, a obrigação de entender os erros e melhorar. Gravamos das 12h30 as 10 da noite, em seguida começa o processo de edição desse programa e simultaneamente de produção dos próximos. Ao mesmo tempo, é essa adrenalina que é o estímulo do profissional de nossa área.

Qual avaliação que você faz deste primeiro ano de programa?
Tivemos um excelente resultado que nos fez mexer bastante e também a concorrência. Isso é saudável para todos, em especial para o público. Televisão é habito, em um ano colocamos no ar mais de 30 quadros diferentes, além de pautas e reportagens externas. temos que testar formatos, horários, afinal são 4 horas de programa. Sinto que agora estamos fechando um ciclo de experimentos, testes, erros e acertos para um amadurecimento maior a partir de agosto.

Leonor Corrêa (Foto Roberto Nemanis/SBT)

Como você avalia o papel das mulheres na direção dos programas de TV em um dia tão concorrido como o domingo?
Olha, não vejo diferença pelo fato de ser mulher dirigindo um programa ou um homem. O talento, a competência, dedicação, ética, respeito ao publico e à emissora que você trabalha é pessoal, não depende do sexo. Para mim, a responsabilidade é a mesma na direção de qualquer programa em qualquer horário ou dia. É claro que um programa de 4 horas dá muito mais trabalho do que um programa semanal de uma hora. Mas eu garanto que o mais difícil mesmo é programa diário. isso sim é uma pedreira gigante.

Quais as novidades que os telespectadores podem esperar para o programa?
Como já disse, são mais de 30 quadros nesse ano, logo, as novidades estão sempre surgindo. Agora mesmo estreamos o Apagão dos Famosos que é muito divertido. Exibimos uma serie muito bem feita por outra equipe do SBT, que é o Romance no Escuro. Agora , vamos reestrear um quadro chamado “Meu Primeiro Carro” e “Faço Tudo por Minha Família”. Além de sucessos que já conquistamos que precisamos sempre manter com novidades: Ciência em Show, com as experiências explosivas do galpão e a microcâmera, as viagens internacionais da Eliana com o biólogo Sergio Rangel, Os Opostos se Atraem, entre outros.

Falando um pouco da sua vida pessoal. Você serve de exemplo para muitas pessoas que sofrem com a obesidade e necessitam da cirurgia. Você pode resumir o processo da cirurgia?
Já faz 7 anos que operei . Estava com 40 anos, minha filha recém-nascida para criar, diabetes e 125 quilos, ou seja, uma bomba relógio já que o nosso trabalho é bem estressante. Hoje, o estresse é o mesmo mas a saúde está em dia, sempre com acompanhamento médico, é claro, mas não há milagre, mesmo depois da operação, a gente tem que fechar a boca e ter alimentação saudável.

O que mudou na sua vida após o procedimento?
Mudou tudo... Autoestima, disposição, saúde. Depois dos 40 então, tudo é mais frágil e nosso trabalho exige muito. Confesso que sou muito mais feliz em todos os sentidos. Apesar de passar uma imagem meio de “séria demais” e “cara fechada”, isso não é mau humor não (risos). É preocupação, responsabilidade! Nossa equipe tem mais de 40 pessoas e eu sei o quanto o sucesso pessoal de todos é consequência do sucesso profissional. Estou sempre ligada em atender à expectativa da emissora quanto a audiência, aumentar a demanda comercial, deixar a Eliana feliz e segura, garantir o emprego dessa turma toda, ensinar a garotada que chega e ainda ter tempo e cabeça de me dedicar a minha filha e ao meu namorado. Mas, as mulheres sabem que no final, a gente dá conta de tudo.

Nota publicada por SBT em 29/08/2010
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